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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Após badalação de Weggis, seleção se isola antes da Copa


Bandeiras promovem Copa da África do Sul, que começará no dia 11 de junho. Após erros, Fifa mudará sistema de venda de ingressos para o torneio no Brasil, em 2014.

REUTERS/Siphiwe Sibeko

Por Pedro Fonseca
CURITIBA (Reuters) - A seleção brasileira vai colocar em prática a partir de sexta-feira, quando começa sua preparação para a Copa do Mundo, um plano para isolar os jogadores e evitar a exposição e o oba-oba que foram consideradas responsáveis pelo fracasso do país no Mundial de 2006.

Desde que assumiu a equipe, logo após a derrota para a França nas quartas-de-final da Copa da Alemanha, o técnico Dunga sempre citou o badalado período de treinos do Brasil em Weggis, na Suíça, como um exemplo do que não poderia voltar a acontecer, e a blindagem promete afetar tanto a torcida quanto a mídia.

"Tudo o que observei e tudo o que falaram (sobre Weggis), é lógico que não vamos deixar que aconteça", afirmou Dunga após anunciar a convocação dos jogadores para a Copa, na semana passada.

"Só peço para os torcedores acreditarem e confiarem. E pedir desculpas, porque eles não terão tanta informação sobre a seleção brasileira. Peço um pouco de paciência para o torcedor porque precisamos de privacidade, sem oba-oba, sem confusão", acrescentou.

Se em Weggis os treinos do Brasil tinham ingressos à venda, inclusive com presença de escolas de samba, o centro de treinamento do Atlético Paranaense, escolhido agora para abrigar a primeira fase da preparação brasileira, tem como característica a privacidade que reserva aos jogadores.

Com oito campos à disposição, Dunga poderá realizar atividades longe dos olhares da torcida e da imprensa, e o local ainda conta com toda a estrutura necessária para as avaliações médicas e físicas, o que significa que nenhum jogador precisará sair da concentração durante os seis dias.

O local foi escolhido em detrimento da Granja Comary, centro de treinamento oficial da seleção em Teresópolis (RJ), onde os jogadores têm contato direto com repórteres e os treinos sempre são acompanhados por centenas de torcedores.

Quando chegar à África do Sul, o isolamento dos jogadores será mantido. O hotel que servirá como base da equipe, em Johanesburgo, levantou uma cerca para separar o espaço reservado à equipe de um campo de golfe que faz parte do complexo.

O acesso ao hotel será permitido apenas aos integrantes da comitiva da CBF, que serão os únicos hóspedes durante o Mundial.
Ao contrário de 2006, quando jogadores foram flagrados curtindo a noite durante a preparação, desta vez eles serão controlados com mais rigor.

A decisão de isolar a seleção, com respaldo do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, também promete afetar em cheio a cobertura jornalística da seleção, em especial por parte das emissoras de tevê que, em Weggis, transmitiam todos os treinos da seleção ao vivo.

Já durante as eliminatórias o técnico Dunga passou a proibir imagens de seus treinamentos e a restringir as entrevistas concedidas pelos jogadores.

Até o voo da seleção, que tradicionalmente levava junto os jornalistas que cobrem a equipe, agora teve o número de convidados bastante reduzido a pedido da comissão técnica.

"Vai ser a cobertura de Copa do Mundo mais fechada dos últimos tempos", alertou o assessor de imprensa da CBF, Rodrigo Paiva.

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